terça-feira, 27 de abril de 2010

Soturna viajem



Eis que a morte do Homem-lobo
Fez da lua, lua triste
E a matilha ainda viva, faz do frenesi um banquete alucinado nas mais cheias avenidas.
E no insuportável silêncio da madrugada, um grito uivante de amor.
(O cheiro é de mirra).

E no sacro rito macabro dos pastores
Dizem não haver pecados tão pouco crimes neste mundo.
Um anão corcunda soluça mesmo sorrindo
Levitando descontrolado, sem saber o porquê.
O invisível cão negro gargalha no escuro

A criança febril ainda vomitando, diz ao soluçar
“tenho medo!”
De que tens medo?
“Medo dEle, do cão, do meu cão!”

A luz rubra que vem do fundo da lua
Anuncia a chegada do arauto da desgraça
No silêncio obsceno da noite
O silvo da espada de diamantes
E cheiro de sangue virgem na terra molhada.

E os homens inocentes dançavam no escuro
Ofegantes.
Homens e mulheres se confundiam. Coisa orgíaca.
Os que olhavam para o céu morriam.

O velho senil começa a contar historias futuras.
O jovem universitário queima todos os seus livros.
O policial torna-se corrupto e o ladrão é Robin Hood.

Da torre do relógio central a gárgula imortal vê e delicia-se com a humanidade.
O cheiro pútrido da água faz daqueles que se dizem lúcidos os mais insanamente loucos.

La do alto do prédio em chamas, o milionário ri descontroladamente.
Um ruído incomodo vindo do chão
Ele surgi como se da terra brotasse
Forte, vigoroso, horrorosamente belo.
A guerra está lançada.

A primeira luz de sol surge ao longe.
Os primeiros traços do pensar.
Sol na cara, despertador ruidoso começa a gritar.
As serpentes suburbanas a trançar as ruas, travessas e avenidas
Mais um amanhecer.
Mais um despertar.
Todos acordar.

Por: Marco Machado