quinta-feira, 27 de maio de 2010

fianlmente escrivinhando (de presente à tati)

Dos versos descuidados
                                                      - à tati
Queria fazer um poema de uma pagina inteira
(desses que saem de uma vez só)
Falar de amor antigo, brincadeira de infância, da comida gostosa, dos amigos
(sempre aos amigos)
Igualmente bom seria escrever de minha solidão,
nunca eficaz.

Queria também, quem sabe, que meus poemas
fossem não só meus poemas, mas poemas de outros, que por sua vez de outros mais.
Que fossem estampa de bandeira social
Que marcasse uma geração, uma só já estaria bom.
Que uma banda qualquer de músicos quaisquer
lhes dessem três ou quatro acordes com leves alterações
que estes começassem sempre em tom menor,
quem sabe Si menor, triste e vagaroso e
terminasse em Ré maior, alegre e consistente.

Mas sempre me perco quando tento poesiar
Sempre me perco quando tento lembrar aqueles versos que,
sem querer, criava enquanto caminhava e não havia sequer uma caneta e papel
que os salvassem do esquecimento.
Aqueles sim ficam bons
Versos fragmentados de poemas jamais escritos,
perdidos no imaginário do cotidiano.

Ou pior,
Quando se escrevem excelentes versos
(em pedaço de papel rasgado)
Que unidos dariam vida a belo poema
que se perde
no bolso descuidado, da calça mal lavada,
daquele desajeitado, que escreveu com tanto carinho e
sabe que aquele, aquele mesmo poema, o poema de bolso,
nunca voltará.

Por: Marco Machado
27/05/2010 - Insubistituivel madrugada