quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Título homônimo ao livro de Saramago. Inspirado


Homem duplicado


Quem sou o homem
que me vê do outro lado?
Quem sou o homem...
protagonista de mim mesmo

Quem sou o homem
                ... que me acorda de manhã
                ... que me pensa
                ... que me sabe
                ... que me sou
que homem sou?

Me olha logo cedo
come da minha comida
bebe do meu copo
pensa com minha cabeça
olha nos meus olhos

Me espelha no que faço
                me consola no que erro
                me absolve no que peco
                me condena no que julgo
                me teatra no que finjo
                ele goza do meu gozo

Sou eu o homem que olha do espelho
que me acordo de manhã
que me penso todo dia
que me sei sem saber
que sou... sendo um
sendo mil
espelhos
de mim mesmo

Por: Marco Machado

Tentando escrever... tentativa e erro



O expurgo da poesia
Notável como algumas coisas se dão. E somente agora olhando estes versos numa folha de papel escrita a lápis, pois ainda acredito ser um jeito “romântico” de escrever, nada de word, é que consigo encontrar finalmente um descanso ao travesseiro. Olho o relógio, este teima em me recriminar por já serem três horas da manhã, lembrando-me que logo mais tenho que estar no trabalho.

Eis o que acontece, amigo leitor, há alguns dias que estou com uma frase na cabeça que não toma forma, nem tem cor. Dessas que pensamos sem pensar e, comigo, é justo de noite, antes de dormir que elas vêm a mim, assim como vos digo, disforme mesmo, uma espécie de frase sem frase propriamente ser, quase um sintoma sem ter medico algum que explique, ou sequer qualifique.

Acendo a luz, os olhos doem. Pego na escrivaninha os papeis, lápis, canetas, sento-me olhando-os, contemplando-os quase como se eles fossem escrever sozinhos... Em trinta minutos, alguns rabiscos, desenhos disformes, nunca fui bom desenhista, que somam as duas outras folhas amassadas, maltratadas, cheias de Nada.

Aquela frase ainda não tomou forma, mesmo tendo andado todo alfabeto. Sinto como se um dedo fosse a pressionar-me a fronte. Fala comigo diz-me - Quero sair! - como quem diz quero nascer, eu daqui retruco – Não tenho aptidão para isso! – desculpando-me. Noto que estar brigando e desculpando a mim mesmo.

Acredite-me, confidente amigo, é, mas difícil do que parece. É mais do que algumas ordinárias palavras dispostas de maneira matemática. Alias a matemática é o que menos se conta nessas horas dedicadas a poesia. Tento lembrar-me das grandes obras, ou daqueles grandes nomes mas nada vem a mente. Sim, tenho sim alguns livros aqui perto, mas se que se alcançá-los, minha produção morrera de vez.

Tentativa e erro, talvez esse seja o segredo. Passa-me a cabeça certa entrevista que devo ter visto alguma vez, onde foi perguntado a um escultor, esses de formas humanas belíssimas, - Quando o senhor sabe que tem que parar? – ao que ele com um sorriso responde – Quando atinjo a pele - Dessas formas que só os grandes e excêntricos mestres respondem.

Pensando sobre isso me questiono sempre se a poesia que tento fazer já não esta pronta em algum lugar. Se não é ela que escreve e não, o óbvio contrario, eu a escrevê-la. Será ela ter vida própria? Ou será parte de mim que desconheço?

Desconhecendo, tenho a esperança de a poesia, esta minha poesia, viver em um mundo paralelo, tal mundo das idéias onde lá tenha uma idéia que se chame poesia. E é esta que todos tentamos buscar, dar cor, vida, forma, espírito. Bom mesmo é Poesiar.

Por: Marco Machado

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

2010. Momento Oportuno


Saudade de menina

Se toco... tremi
se beijo... gemi
se paro... clama
se perto... quente
se aperto... chamas...

A saudade da buceta da menina

Me agarra, faz-me cúmplice
me abraça, eu suado
me arranha, eu não penso
ao ouvido me sussurra
aos cabelos me puxa...

Me sobe em uma só dança
só ela que balança
seus lábios a morder
a cabeça a menear
nos cabelos... flores
sua voz... violino, tímpano

Em fera se transmuta
em pose ela urra
selvagem se torna
suas curvas transbordam
gemi, grita, urra...
puxo, bato, grito, Faço

Agora mansa e vagarosa
Lá vem ela poderosa
em pose devota me aborda
Faz-me seu
Em riste toca
com caricias me comporta
com tal gruta me lambuzo

O tempo para e
cego fico
surdo sou
cheiro não sinto
falar já não sei
o tempo já não há
compromisso esqueci
trabalho um lampejo
personifico o desejo

Será droga viciante
Toma o corpo,
Turva a mente
Mas veis, não é a toa
[Ah] que saudade da buceta da Menina

Primeira tentativa. Alguma noite mal dormida em 2009.


à saudade


Saudade. Que será?
Será o medo da ausência,
ainda que inverdadeira
Saudade será tal titã que só vemos em mitos gregos
que amaldiçoado, sofre de desejar e não poder possuir.

Saudade será gnomo travesso
incansável prega peças, peripécias
nos inadvertidos descuidados humanos.

Saudade... saudade
É doce. Também amarga.
As vezes triste. As vezes fraca.
Mas sempre sempre saudade.

Não há quem diga não sofrer da saudade
e não há que não sofrerá.

Só sei que saudade tenho cá.
Não sei se pouca ou se fraca
mas a minha sei é saudade.
Cuido cá, com cuidado. E ate gosto de saber que há saudade.

Que não se come
nem se vê.
Mas cá ta ela quietinha
As vezes revolta
noutras quentinha
Mas nunca esqueço
É saudade.