quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Tentando escrever... tentativa e erro



O expurgo da poesia
Notável como algumas coisas se dão. E somente agora olhando estes versos numa folha de papel escrita a lápis, pois ainda acredito ser um jeito “romântico” de escrever, nada de word, é que consigo encontrar finalmente um descanso ao travesseiro. Olho o relógio, este teima em me recriminar por já serem três horas da manhã, lembrando-me que logo mais tenho que estar no trabalho.

Eis o que acontece, amigo leitor, há alguns dias que estou com uma frase na cabeça que não toma forma, nem tem cor. Dessas que pensamos sem pensar e, comigo, é justo de noite, antes de dormir que elas vêm a mim, assim como vos digo, disforme mesmo, uma espécie de frase sem frase propriamente ser, quase um sintoma sem ter medico algum que explique, ou sequer qualifique.

Acendo a luz, os olhos doem. Pego na escrivaninha os papeis, lápis, canetas, sento-me olhando-os, contemplando-os quase como se eles fossem escrever sozinhos... Em trinta minutos, alguns rabiscos, desenhos disformes, nunca fui bom desenhista, que somam as duas outras folhas amassadas, maltratadas, cheias de Nada.

Aquela frase ainda não tomou forma, mesmo tendo andado todo alfabeto. Sinto como se um dedo fosse a pressionar-me a fronte. Fala comigo diz-me - Quero sair! - como quem diz quero nascer, eu daqui retruco – Não tenho aptidão para isso! – desculpando-me. Noto que estar brigando e desculpando a mim mesmo.

Acredite-me, confidente amigo, é, mas difícil do que parece. É mais do que algumas ordinárias palavras dispostas de maneira matemática. Alias a matemática é o que menos se conta nessas horas dedicadas a poesia. Tento lembrar-me das grandes obras, ou daqueles grandes nomes mas nada vem a mente. Sim, tenho sim alguns livros aqui perto, mas se que se alcançá-los, minha produção morrera de vez.

Tentativa e erro, talvez esse seja o segredo. Passa-me a cabeça certa entrevista que devo ter visto alguma vez, onde foi perguntado a um escultor, esses de formas humanas belíssimas, - Quando o senhor sabe que tem que parar? – ao que ele com um sorriso responde – Quando atinjo a pele - Dessas formas que só os grandes e excêntricos mestres respondem.

Pensando sobre isso me questiono sempre se a poesia que tento fazer já não esta pronta em algum lugar. Se não é ela que escreve e não, o óbvio contrario, eu a escrevê-la. Será ela ter vida própria? Ou será parte de mim que desconheço?

Desconhecendo, tenho a esperança de a poesia, esta minha poesia, viver em um mundo paralelo, tal mundo das idéias onde lá tenha uma idéia que se chame poesia. E é esta que todos tentamos buscar, dar cor, vida, forma, espírito. Bom mesmo é Poesiar.

Por: Marco Machado

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